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Mercado imobiliário desiste de queda da Selic e vê crédito travado por mais tempo

29 de junho de 2026
Infomoney

Na contramão das expectativas compartilhadas no fim de 2025, o setor de incorporação não transmite mais o mesmo otimismo em relação a queda de juros no Brasil. Esse foi o sentimento geral de declarações dadas por executivos da incorporação durante o Summit ABRAINC 2026, que aconteceu nesta quinta-feira, 25 de junho, em São Paulo.

Logo na abertura do evento, Luiz França, CEO da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) fez um apelo para a redução dos juros que, na sua avalição, seguem em patamar elevado.

No último Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central decidiu fazer o terceiro corte seguindo na taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano – decisão considerada branda por especialistas que veem uma deterioração na inflação do país, admitida pelo próprio BC na última Ata do Copom.

“A expectativa de queda que se falava no fim do ano mudou. Hoje se fala em aumento de juros”, afirmou Ricardo Gontijo, CEO da Direcional (DIRR3), durante um painel no evento, destacando os juros impactam a produção do setor imobiliário e, em maior grau, o ciclo do cliente, que precisa da contratação de financiamentos longos para viabilizar o sonho da casa própria.

Para o CEO da Direcional, os juros atuais esbarrarão até na demanda por imóveis de alta renda nos próximos dois anos. “O mercado de alta renda vai sofrer, exceto os compactos. A venda dos apartamentos compactos estão voando, mas isso tem um limite. Ninguém tira dinheiro do banco com essa remuneração de quase 15%”, avaliou.

Fora do Minha Casa, Minha Vida, cujas taxas de juros são subsidiadas – girando entre 4% e 8% ao ano – os juros do financiamento imobiliário no primeiro semestre de 2026 ficavam entre 12% e 14%, a depender do banco e do perfil de crédito do cliente.

 

“Durante muitos anos a gente era feliz e não sabia. Tínhamos uma poupança cheia de recursos e isso foi minando. As pessoas passaram a compreender melhor o mercado financeiro. Vieram alternativas [de funding] interessantes, como LGI, LCI. Elas ficaram mais fortes. No ano passado o governo ajudou, liberou mais recursos da poupança para o setor, mas isso é finito (…) O mercado financeiro evoluiu demais. Tenho certeza que quando tivermos uma taxa de juros razoável, isso [financiamento do setor] vai voar mais ainda”, disse Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar.

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